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Sistema online que identifica as ações mais perigosas e produto da Bovespa com limite para perdas no mercado aumentam a segurança do investidor

A onda de euforia em relação à Bolsa de Valores, que se sustenta, com altos e baixos, desde o trimestre passado, exacerbou o instinto caçador (de boas oportunidades) do investidor pessoa física e deixou o fator risco em segundo plano. Há no mercado quem sustente que os perigos do mundo das ações só serão redescobertos, da pior maneira, quando vier uma queda violenta. Mas a preocupação com as ameaças inerentes à renda variável já começa a render produtos. A Cyrnel International, consultoria financeira sediada no Rio de Janeiro, lançou na semana passada uma ferramenta de avaliação de risco para investidores pessoas físicas. Basta inserir a sua carteira de ações no sistema para receber um relatório com a análise. É uma ferramenta antes disponível apenas para grandes investidores, que começa a ser popularizada. Nos dois primeiros meses, o serviço chamado de RiscoOnline é gratuito. A partir de abril, passará a ser cobrado. Quase ao mesmo tempo, também na semana passada, a Bovespa criou um produto que reduz o risco do investimento em ações para pessoas físicas. É o POP, mecanismo que mistura ações com derivativos, para proporcionar hedge ao investidor. Uma operação complexa, que também era restrita a grandes investidores e agora passa a ser apresentada como prato pronto. Em caso de baixa forte da ação escolhida, o sistema "trava" a queda e garante parte do capital investido. Em compensação, limita os ganhos quando os papéis estão subindo. O lançamento do POP estava previsto para a sexta-feira 2, mas foi adiado por determinação da CVM. O órgão regulador pede esclarecimentos adicionais sobre o produto. Uma vez liberado, o POP estará inicialmente disponível para apnas sete empresas: Petrobras, Vale, Bradesco, Usiminas, Telemar, Itaú e CSN.

Alexandre Oliveira, sócio da Cyrnel, trabalha há muitos anos com investidores institucionais, mas decidiu criar um negócio para suprir a carência de ferramentas de análise de risco para investidores individuais. Ele é o pai do site Riscoonline.com.br, baseado em uma solução chamada Grau de Risco, que dá notas de zero a 4 para as ameaças escondidas nos portfólios de ações analisados. Exemplo: uma carteira com cinco ações que recebe grau 2 está correndo o dobro do risco do Ibovespa, que é nota 1 por definição. É possível saber, também, de onde vem o perigo. Se são cinco papéis na carteira, o sistema diz qual ação está contribuindo para elevar as ameaças. Setores compostos por empresas jovens ou que exploram novas tendências, bem como aqueles cujas companhias vivem uma "bolha de otimismo", além dos que dependem de commodities, são mais arriscados do que ramos mais tradicionais. Não por acaso, o setor de tecnologia é considerado pela Cyrnel o mais perigoso (nota 3,5). Na outra ponta estão as empresas financeiras (grau 1,9). Analisando a carteira do Ibovespa em janeiro, a consultoria desenhou o primeiro ranking do risco. Ele é encabeçado pela Cyrela (4,35), exemplo da tal "bolha de otimismo" e tem a seguir NET (3,96), Cosan (3,84), Eletrobrás (3,5) e Vivo (3,46). A lista das menos arriscadas começa com AmBev (2,18) e segue com Petrobras (ON e PN), Telesp Celular e Itausa. Há ainda o recurso da análise de stress, que mostra o impacto sobre a carteira de uma queda brusca da bolsa. "O investidor muitas vezes não sabe o risco que corre", nota Alexandre. "E isso deixa muita gente fora do mercado."