Cyrnel faz análise sobre o crescimento dos fundos multimercados
Na trilha da diversificação
O efeito da queda do juro já é sentido nas carteiras dos fundos de investimento brasileiros. Dados consolidados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a pedido do Valor mostram que a diversificação vem dando o tom à gestão das carteiras. Ações, debêntures, recebíveis e cotas de fundos lastreados nesses títulos estão cada vez mais presentes e correspondiam, no fim de 2006, a 14,64% dos ativos que dão lastro aos fundos, o que representa R$ 134 bilhões. No fim de 2005, esse valor era de R$ 85 bilhões, ou 11,85% do total.
Essa diversificação ocorreu não só porque os investidores e gestores estão buscando no mercado mais oportunidades para ganhar mais, como também acompanha uma oferta muito maior de ativos privados no mercado brasileiro. E deve trazer mudanças no comportamento do investidor pois, junto com a variedade de ativos nas carteiras, vem um risco maior, o que vai exigir mais acompanhamento e mais "ginástica" dos gestores para obter ganhos diferenciados.
Os multimercados atraem pela sua característica mais flexível, já que podem aumentar e reduzir a concentração nos diferentes tipos de ativos disponíveis no mercado, de acordo com o cenário traçado pelo gestor.
O sócio-diretor da consultoria Cyrnel International, Alexandre Oliveira observa que, somente no último ano, os multimercados elevaram sua participação no volume total do setor de fundos de 18,4% para 20,7%. "Com uma remuneração cada vez menor na renda fixa, os investidores estão aceitando níveis cada vez maiores de risco em troca de retornos mais robustos."
No entanto, é preciso ficar atento à eficiência da estratégia da carteira. "Essa migração de recursos para fundos mais agressivos exigirá do investidor mais preparo e capacidade de avaliação, já que o potencial de perdas também se torna maior", diz o diretor da Cyrnel.
Este ano, o ritmo das mudanças nas carteiras tende a se acentuar. Somente no segundo semestre de 2006, por exemplo, é que os fundos de renda fixa e DI com taxas de administração altas começaram a se ver ameaçados pela caderneta de poupança. Além disso, as projeções dos economistas apontam que a queda no juro deve prosseguir. "Tanto os investidores devem continuar a trocar fundos mais conservadores por mais agressivos como a diversificação dos ativos nas carteiras tende a crescer, com a troca dos títulos públicos pelos privados", diz Carlos Frederico Werneck, consultor da Cyrnel.
Apesar da migração, o volume de títulos públicos de curto e longo prazos nos fundos ainda é bem alto, de cerca de 72%. "Só os fundos de renda fixa, sem contar os DI, ainda correspondem à metade do setor, apesar do ganho menor", diz Werneck. "Por aí se tem uma idéia do espaço que ainda há para mudanças", conclui.