Long-shorts e market neutrals, as estrelas de 2005.

Em um ano que começou com grande incerteza e sem tendências no mercado de ações, os fundos long-shorts e market neutrals surgiram como uma boa alternativa aos fundos de ações tradicionais. Estes fundos geralmente buscam obter retornos superiores ao CDI por meio de posições compradas e vendidas em ações e seus derivativos, mas com risco bem reduzido quando comparado ao de um fundo de ações tradicional.

Segundo Alexandre Oliveira, sócio da consultoria de investimentos Cyrnel International, o risco típico destes fundos é em média ¼ do risco de um fundo de ações tradicional. Há casos em que pode-se chegar a 10% do risco dos fundos tradicionais, fato que o torna atraente para o investidor mais conservador, que busca algo mais arrojado que um fundo de renda-fixa. A consultoria, que tem diversos gestores como clientes, orienta-os a manter o perfil básico do fundo: baixa volatilidade, pouca correlação ao IBOVESPA e bons potenciais de ganhos sobre o CDI.

A principal diferença entre fundos long-short e market-neutral é que o primeiro tem mais liberdade que o segundo para realizar apostas direcionais.

Os gestores de recursos de terceiros que oferecem este tipo de produto vêm apresentando grande captação desde o início do ano passado. Oliveira afirma que no total, este tipo de produto captou aproximadamente 1 bilhão de reais em 2004 e só nos quatro primeiros meses de 2005 já acumulou cerca de 700 milhões de reais, totalizando um patrimônio líquido de 1.9 bilhões de reais para toda a indústria brasileira de fundos long-shorts e market neutrals.

Oliveira afirma ainda que, dos quase vinte fundos com este perfil na indústria, apenas um está com rentabilidade negativa no ano e oito deles superam o CDI. A rentabilidade depende basicamente da capacidade de selecionar as boas das más ações, sendo as apostas direcionais menos importantes.

Apesar da grande demanda por estes produtos, um importante fator que limitará o crescimento da indústria é a necessidade de se realizar posições de aluguel para ficar vendido em ações. Ainda assim, 2005 parece ser o ano para os long-shorts e market neutrals.